O sol da tarde já estava sumindo atrás da plantação. Sentado sobre um banco velho na varanda, eu refletia, inquieto, sobre a rotina da minha esposa, que trabalhava como secretária da fazenda e vivia viajando para a capital junto com o patrão para resolver os problemas da propriedade. Toda essa correria e as noites da minha mulher longe de casa iam acumulando em mim uma frustração que se somava ao cansaço do corpo, que sempre batia forte no fim do dia. Vestindo minha bota de couro velha e a camisa de botões gasta e empoeirada da lida, eu segurava uma rédea em uma das mãos enquanto fumava um cigarro com a outra.
O vento espalha as folhas das telhas, e o silêncio foi sendo quebrado pelo chiado da água caindo no banheiro dos fundos da grande casa-sede da fazenda. Dona Olga estava lá. Ela vivia um casamento padrão da alta sociedade com um marido rico que permanecia absorto em negócios na capital, deixando-a isolada no interior, carente de atenção e insatisfeita em seus desejos. Eu costumava falar rapidamente com ela pelos caminhos de terra nas raras vezes em que ela não estava de carro. Mas, naquele fim de dia, sabendo que o marido dela estava longe, acabei parando perto da janela basculante do banheiro, que estava entreaberta por causa do mormaço. O som da água e a silhueta embaçada pelo vidro fizeram com que meu corpo respondesse de imediato, com um tesão incontrolável.
Aproveitando a penumbra da lateral da casa e usando a sombra de um grande pé de manga como disfarce, agi no puro instinto. Esticando o pescoço com cuidado, olhei pelo vão do vidro, mirando, através do vapor do chuveiro, o corpo nu de Olga, uma mulher de 28 anos, pele cor de canela, corpo cheio, ia deixando a água correr livremente pela abertura da bunda grande e descendo como cahoeira pelas pernas roliças. Em um movimento, ela se virou sob o chuveiro e os olhos dela, inevitavelmente, bateram na fresta da janela. Bem ali, ela percebeu o meu olhar faminto fixado em seu corpo nu e notou a minha mão ajustando o volume rígido por cima da calça. Confusa pelo choque e ardendo pela malícia, ela virou as costas para a janela e deixou cair o sabonete, propositalmente. (CONTINUA NA PARTE II)

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