Meu relógio marcava seis da tarde. Aos 35 anos, eu já carregava na cara o estrago de um divórcio recente e o amargor de um casamento que terminou no meio de brigas idiotas e de um gelo que parecia não ter fim. Apesar de ser jovem a frustração estava batendo forte. Fazia exatamente oito meses que intimidade e toque tinham virado lembrança, nada de sexo, e punheta já tinha perdido a graça. Vestindo aquela roupa social de sempre, com a camisa meio amassada depois do expediente, eu segurava firme a minha pasta de catálogos. Eu era o retrato cuspido e escarrado de um representante de vendas esgotado pela rotina e pelos nãos do dia.

Com um tranco, o ônibus da linha 402 deu a partida. O circular estava lotado naquela terça-feira cinzenta de fim de tarde, um abafamento infernal por causa do calor do pessoal e do barulho irritante do motor. Eu e a Cláudia dividíamos aquele mesmo espaço todo santo dia, um encontro silencioso que já fazia parte da nossa rotina, que no máximo tinha um boa tarde ou um sorrisinho no canto da boca. Naquele dia, eu estava viajando de pé, espremido no final do corredor, bem na frente dela. Essa proximidade forçada acendeu uma faísca em mim, fiquei excitado e o volume nítido do meu pau duríssimo começou a empurrar o tecido da calça na direção dela. Tentação!

A Cláudia é uma morena de 40 anos, tem seios fartos, coxas grossas, quadril largo e um olhar meio disperso, com traços elegantes, mas que também carregava o seu próprio peso de melancolia. Ouvi dias atrás comentários no ônibus de que ela estava passando por uma crise conjugal feia, um casamento desgastado onde carinho e sexo viraram artigo de luxo. Aproveitando o balanço do ônibus e usando a minha pasta de vendas como um escudo improvisado, eu joguei o juízo pro alto e cometi uma loucura... Com movimentos bem calculados, eu encostava de leve o volume da minha calça no ombro dela. A adrenalina gelava a minha espinha, enquanto meu coração parecia que ia sair pela boca batendo forte.

Ela tirou os olhos da janela e, por um segundo, travou. Bem ali na frente dela, o meu volume inclinado para a esquerda desenhava uma forma explícita por baixo da calça. Ela hesitou. Embora o normal ali fosse ela me repudiar ou armar um escândalo, a carência dela, guardada em segredo no meio daquela multidão de desconhecidos, falou mais alto. Ela sentia a pressão firme de um pau vigoroso e latejante, com o calor do músculo duro tocando o seu ombro através da roupa, um contato abusivo que deveria ter feito ela sentir repulsa na hora. No entanto, paralisada por uma mistura de tensão e uma ousadia silenciosa, Cláudia não esboçou nenhuma reação. Ela mexeu os olhos discretamente, olhando para o volume rígido que forçava sua pele, assimilando o tamanho daquela audácia em violenta ereção. Embora ela não tenha retribuído o toque naquele momento, também não reclamou, não saiu e nem chamou a atenção de ninguém, deixando que aquela fricção proibida ficasse como um segredo só nosso na penumbra do corredor... (CONTINUA NA PARTE II).